Cervejas envelhecidas em madeira: um guia básico


Elas costumam ser complexas, cheias de aromas e sabores intensos, elegantes e o sonho de consumo de muitos cervejeiros. São as cervejas maturadas em madeira, seja no barril ou com pedaços do material dentro do líquido. Mas qual a diferença entre esses dois processos? Abaixo falaremos o básico sobre como cada um funciona e no final segue mais uma lista de boas cervejas artesanais brasileiras para degustar.

A principal diferença entre a maturação entre barril ou pedaços de madeira é o tempo. Na maturação em barris o líquido costuma passar por meses de descanso para pegar as características esperadas pelo cervejeiro. Há bebidas que ficam por três, quatro meses nas barricas, e outras que passam pelo processo ao longo de um ou mais anos. Já quando se usa pedaços de madeira, que costumam vir no formato de chips, lascas ou espirais, esse tempo é acelerado, pois a bebida extrai mais rapidamente as características do material.

Em ambos os casos, o que ocorre é uma troca entre a bebida e a madeira escolhida para a maturação. O objetivo do envelhecimento é que a cerveja adquira sabores e aromas do material escolhido e assim fique mais rica. Outra vantagem em se envelhecer cerveja é que ela passará por um período mais longo de maturação, o que ela descansará e poderá ganhar em equilíbrio nas suas características.

Essas características podem ser diversas e vão depender do barril ou madeira escolhidos. Cervejarias que buscam mais características amadeiradas mesmo podem optar por um material que não teve contato com nenhuma outra bebida, como barris ou chips de carvalho, ou a brasileira amburana.

Outra opção é usar madeira que anteriormente teve contato com outras bebidas, para que a cerveja tenha também essas características. Tanto que há rótulos envelhecidos em barris de brandy, bourbon, whisky, cachaça, vinhos, entre outras. Além dessas características, também pode-se extrair da maturação em madeira aromas e sabores de frutas, entre outros.

Wood aged beers podem ser feitas a partir de diversos estilos, mas o mais comum é que cervejas mais complexas e alcoólicas sejam as escolhidas, pois costumam se dar melhor nessas condições. No entanto, não há uma regra e a ousadia pode render bons e inusitados resultados.

Mas melhor do que falar sobre cervejas envelhecidas em madeira é bebê-las. Abaixo seguem 10 dicas de rótulos artesanais para degustar:

– Black Anthrax: Essa Russian Imperial Stout da cervejaria carioca Quatro Graus está em sua segunda edição comercial e vale ser conferida. Na versão 2017 ela está ainda mais potente, com 17,5% de álcool e com o carvalho em destaque.
– Carvoeira Wood Aged: Outra RIS, essa da catarinense Lohn Bier, tem na versão wood aged sua melhor versão. Além do funghi secci e do cumaru usados na receita original, a amburana dos barris acrescenta mais complexidade para a cerveja, que tem 9,5% de ABV.
– Unsauberator: Uma característica de algumas cervejas envelhecidas é serem sazonais, caso dessa Sour Doppelbock feita pela RockBird em parceria com a Penedon. O bom é que a versão 2017 tá pra sair agora. Ela terá 8% de ABV.
– Dom 1 Ano: Outra sazonal, a Dom 1 Ano é uma English Barleywine da DOM Haus, com 10% de ABV. Com apenas mil unidades engarrafadas por ano, ela se destaca pelo envelhecimento de 12 meses em barris de carvalho anteriormente usados para cachaça.
– Red “Meth” Flanders: A Flanders Red Ale da gaúcha Maniba dificilmente é batida por outras cervejas do estilo produzidas no Brasil. Ácida, frutada, complexa e saborosa, ela passa por envelhecimento em barris de carvalho americano. Tem 6,7% de ABV.
– Brazilian Wood: Colaboração da cervejaria Treze, de São Paulo, e da holandesa De Molen, essa Saison com 7,5% de ABV é maturada com duas madeiras brasileiras, Cabreúva e sassafrás, conhecidas por serem usadas por cachaçarias, além de levar cana de açúcar.
– Denver Connection: Já fora de produção, mas ainda com algumas garrafas para venda em lojas, essa colaborativa das cervejarias cariocas Hija de Punta, Marmota e Hocus Pocus, com a norte-americana Crazy Mountain, é uma ótima American Wild Ale. Com 6,3% de ABV, ela leva uvas Pinot Noir e carvalho.
– Amburana Lager: Clássica e acessível, a Way Amburana Lager é uma Dark Lager com 8,4% de ABV é maturada em barris de amburana.
– Três Lobos Bravo: E por falar em custo/benefício, essa Imperial Porter de 9% de ABV da Backer é quase imbatível. Também envelhecida em barris de amburana, ela some das prateleiras rapidamente em cada lote.
– 4 Blés: A Bodebrown também costuma fazer cervejas envelhecidas ótimas e a 4 Blés é uma delas. Belgian Specialty Ale com 11,7% de álcool, tem chips de carvalho e trigo defumado em carvalho na receita.

Categorias:Cerveja artesanal

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